30 de novembro.
Hoje meu prato saiu 2 reais e 55 centavos. Devo admitir que me sinto menos nojenta comendo salada e arroz integral. Comi uma folha de alface, um pouco de cenoura, e uma tirinha de beterraba com uma minuscula porção de arroz. Me senti muito melhor comparado a ontem.
Dia 29 de novembro.
Hoje fui almoçar em um restaurante aqui perto de casa, meu prato deu ao total 5 reais, e isso fez com que eu me sentisse nojenta. É triste essa sensação, é como se comer fosse alguma espécie de pecado para mim. Eu estou com vontade de me cortar, mas não, eu não posso. Eu preciso pensar na Carol, no Dudu, no André e na minha irmã. Eu preciso melhorar, ou pelo menos fingir que eu melhorei. Mas se tem algo que eu preciso praticar, é fechar a boca e comer menos. E o que fazer com o meu rosto? Só nascendo de novo mesmo.
Dia 28 de novembro.
Nessa madrugada fria, as lágrimas estão presentes. Eu mal tenho o que chorar, mas a dor aqui dentro é intensa… Não que isso seja novidade ou algo do tipo.
27 de novembro.
Hoje eu vi meu melhor amigo. Juro que estava disposta a contar que sexta-feira eu fiz aquilo de novo. Mas na hora a coragem sumiu. É complicado, sinto como se quando eu fosse falar “eu me cortei de novo”, ele iria ficar muito decepcionado comigo. Tentei contar para minha melhor amiga também, mas o mesmo pensamento me dominou. Eu me sinto uma grande fracassada por não ser nem capaz de contar as coisas para as pessoas que eu mais amo. Hoje eu comi um pouquinho de feijão no almoço e dois pêssegos ao recorrer do dia. Eu só cometo erros. Estou cansada de mim, e não vou me admirar quando eles se cansarem de mim também. Só almejo que os dois permaneçam na minha vida até o fim, porque sem eles será difícil caminhar, seguir.